quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

AS ELITES E O PACTO SOCIAL

Castells: como elites estão rompendo o pacto social

BY MANUEL CASTELLS – 04/09/2012
POSTED IN: CRISE FINANCEIRA, MUNDO, POST

Castells: como elites estão rompendo o pacto social

Do site OUTRASPALAVRAS - Petrônio Filho.

Com argumentos inconsistentes e sem visão de futuro, Ocidente constroi um Estado de Mal-estar. Para enfrentá-lo, novas alianças serão indispensáveis

Por Manuel Castells | Tradução: Daniela Frabasile

O que estamos vivendo em todo o mundo, no contexto da crise financeira, é uma transição – do Estado de Bem-estar social para um Estado de Mal-estar. Na convenção do Partido Republicano, nos Estados Unidos, realizada em Tampa, semana passada, aclamou-se um programa baseado na proposta de Orçamento apresentada por Paul Ryan, o líder mais carismático da direita. Implica cortar serviços públicos; reduzir maciçamente os impostos pagos pelos endinheirados e grandes empresas; manter os que são exigidos dos setores médios e baixos. Alega-se que, assim, será possível reduzir o déficit orçamentário (principalmente através dos cortes de despesas) e estimular o investimento (porque os ricos supostamente investiriam com o dinheiro disponível, o que contraria a evidência empírica dos últimos vinte anos…).

(...)

É agora ou nunca. É preciso parar de gastar com seguro-desemprego, porque beneficia jovens vagabundos, sem respeito pela autoridade. Com os pacientes, porque consomem remédios demais (e como as empresas farmacêuticas poderiam prosperar?). Com os professores, que não desistem de ser educadores – em vez de meros gestores de depósitos de crianças. E inclusive com funcionários públicos considerados heróis da sociedade: bombeiros, policiais e demais agentes de segurança, mal-pagos, maltratados e obrigados às vezes a prender pessoas com quem se solidarizam.

Argumenta-se que em tempos de crise não se pode manter esses luxos. Esquece-se que só é possível sair da crise com produtividade e competitividade, o que requer educação, pesquisa, serviços públicos eficientes.

(...)

O Estado de Bem-estar é a base da produtividade e da solidariedade social. No livro que publiquei alguns anos atrás, com Pekka Himanen, sobre o modelo finlandês, mostramos como a produtividade e competitividade da Finlândia – uma das mais altas na Europa, e superior à alemã – baseava-se na qualidade de capital humano, da educação, das universidades, da pesquisa. E também da saúde pública (sem corpore sano não há mens sana).

Nestas condições, surge um círculo virtuoso: o Estado de Bem-estar social gera capital humano de qualidade, que gera produtividade, que permite financiar sobre bases não inflacionárias o Estado de Bem-estar. Se as partes se desconectam, o sistema afunda.

(...)

Mas há algo ainda mais importante. O Estado de Bem-estar social não foi um presente de governos ou empresas. Resultou, entre 1930 e 1970, de potentes lutas sociais, que conseguiram renegociar as condições de repartição da riqueza. Estabeleceu, como resultado, uma paz social que permitiu concentrar esforços em produzir, consumir, viver e conviver

VERGONHA DA DOUTRINA MONROE


Denúncias
Conn Hallinan: Para além do vergonhoso legado da doutrina Monroe
publicado em 18 de janeiro de 2013 às 1:00
16 de janeiro de 2013

O vergonhoso legado da Doutrina Monroe

Militarizando a América Latina

por CONN HALLINAN, no Counterpunch

Dezembro passado marcou o centésimo nono aniversário da Doutrina Monroe, a declaração política do presidente James Monroe, em 1823, que essencialmente tornou a América Latina um quintal exclusivo dos Estados Unidos. E se alguém tem alguma dúvida sobre o que estava no coração da doutrina, desde 1843 os Estados Unidos intervieram no México, Argentina, Chile, Haiti, Nicarágua, Panamá, Cuba, Porto Rico, Honduras, República Dominicana, Guatemala, Costa Rica, El Salvador, Uruguai, Granada, Bolívia e Venezuela. No caso da Nicarágua, nove vezes; Honduras, oito.

Algumas vezes a intrusão dispensou as gentilezas diplomáticas: a infantaria dos Estados Unidos assaltou o castelo de Chapultepec na cidade do México em 1847, os fuzileiros navais caçaram insurgentes na América Central e o general “Black Jack” Pershing perseguiu Pancho Villa em Chihuahua em 1916.

Em outros casos a intervenção foi tramada nas sombras — um pagamento secreto, um piscar de olhos para alguns generais ou o estrangulamento econômico de algum governo que teve a temeridade de propor reforma agrária ou redistribuição da riqueza.

Por 150 anos a história desta região, que se espalha por dois hemisférios e inclui de tundras congeladas a desertos escorchantes e florestas tropicais, foi em grande parte determinada pelo que acontecia em Washington. Como o velho ditador mexicano Porfirio Diaz colocou certa vez, a grande tragédia da América Latina era ficar tão longe de Deus, tão perto dos Estados Unidos.

Mas a América Latina de hoje não é a mesma de 20 anos atrás. Governos de esquerda ou progressistas dominam a maior parte da América do Sul.

A China substituiu os Estados Unidos como o maior parceiro comercial da região e o Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela se juntaram em um mercado comum, o Mercosul, que é o terceiro maior do planeta.

Outras cinco nações são membros-associados. A União das Nações Sul-Americanas e a Comunidade de Estados Latino Americanos e do Caribe deixaram de lado aquela relíquia da Guerra Fria, a Organização dos Estados Americanos. A penúltima inclui Cuba, mas exclui os Estados Unidos e o Canadá.

Na superfície, a Doutrina Monroe parece estar morta.

(...)

Depois de séculos de exploração colonial e dominação econômica dos Estados Unidos e Europa, a América Latina finalmente está se tornando independente. Em grande parte evitou os danos da recessão mundial de 2008 e os padrões de vida na região estão melhorando — de forma dramática em países que Washington classifica como “de esquerda”. Nos dias de hoje os laços da América Latina são mais com os países BRICS — Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — que com os Estados Unidos e a região está forjando sua própria agenda internacional. Existe oposição unânime contra o bloqueio a Cuba e, em 2010, o Brasil e a Turquia apresentaram o que é provavelmente a solução mais sensível para acabar com a crise nuclear com o Irã.

Nos próximos quatro anos o governo Obama tem a oportunidade de reescrever s a longa e vergonhosa história dos Estados Unidos na América Latina e substituí-la por outra, baseada em respeito mútuo e cooperação. Ou pode voltar a jogar com as obscuras Forças Especiais, a subversão silenciosa e a intolerância com as diferenças. A escolha é nossa.
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  • Adriana Lofego curtiu isto.
  • Sinted Treslagoaseselviria Monroe disse: "A América é para os americanos". Para nós, foi traduzido como um laço de companheirismo contra a colonização européia. Mas na realidade, era um enfrentamento dos EUA às potencias daquele continente na luta pelo poder sobre os países latino-americanos. "mui amigo!". Com certeza, Obama terá dificuldades em mudar esse preceito histórico dos estadunidenses, se é o que quer. Petrônio Filho.

PNE SERÁ VOTADO ATÉ JUNHO


Plano Nacional de Educação será votado até junho, diz relator

Site Terra - Publicado aqui por Petrônio Filho.

O Plano Nacional de Educação (PNE) deve ser votado pelo Senado até junho deste ano. A expectativa é do senador José Pimentel (PT-CE), relator do projeto. Em 2012, a votação foi adiada pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) da Casa, que terminou o ano sem um parecer definitivo. “Espero que até o final de junho a gente conclua a votação no Senado. O projeto então volta à Câmara. Trabalhamos no sentido de aprovar toda essa matéria no ano de 2013”, disse em debate no 14º Conselho Nacional de Entidades de Base (Coneb) da União Nacional dos Estudantes (UNE).
O PNE estabelece 20 metas educacionais que o país deverá atingir no prazo de dez anos. O projeto ficou cerca de um ano e meio em tramitação na Câmara e um mês e meio no Senado. Somente neste último, já foram apresentadas 80 emendas ao plano. Até o final do ano passado foi mantido o ponto que mais gerou polêmica na Câmara: a ampliação do percentual de investimento do Produto Interno Bruto (PIB) em educação para 10% ao ano.
O governo federal defendia que a implementação do Plano Nacional de Educação dependia integralmente dos repasses de recursos dos royalties de petróleo e que não seria possível retirar os recursos do PIB. O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, apresentou aos parlamentares, em novembro do ano passado, dados demonstrando que para o investimento de 10% no setor, como previsto no PNE, deveria haver um acréscimo de R$ 200 bilhões.
Pimentel explica, no entanto, que o governo cedeu aos 10% e que a porcentagem deve ser mantida no plano aprovado. O senador destacou também a presença dos estudantes em toda a tramitação do PNE. Segundo ele, neste ano o acompanhamento dos movimentos estudantis será fundamental para a agilidade da votação.
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  • Sinted Treslagoaseselviria Segundo a CNTE, foi bom adiar a votação porque a pressão contrária aos 10% era muito forte, principalmente devido as brigas pelos royalties do petróleo. Petrônio Filho.

sábado, 12 de janeiro de 2013

LEONARDO BOOF - PARA PENSAR

TRECHOS DE UMA ENTREVISTA DE LEONARDO BOFF AO JORNAL BRASIL DE FATO (30-10-2.004)

- A paz e a democracia são sonhos possíveis (pergunta o jornal).
R- A paz e a democracia, por sua natureza, possuem forte densidade utópica. Quer dizer, são anseios que nunca vão se realizar plenamente na história. Nem por isso são destituídos de sentido. Os anseios, as utopias e os sonhos nos desinstalam, nos obrigam a caminhar e a buscar sempre novas formas de democracia e de paz. São como as estrelas. Nunca podemos alcançá-las. mas são elas que nos iluminam as noites e orientam os navegadores. Portanto, paz e democracia são sistemas abertos, perfectíveis e sempre aptos a novas incorporações e formas de realização.

- Para militantes e pessoas preocupadas em mudar a situação do mundo, que valores devem ser trabalhados e recuperados (pergunta).
R- Creio que todos os valores ligados a integração, à solidariedade, à participação, à construção coletiva, ao feminino e à dimensão espiritual da vida ajudam a elaborar um novo sonho de convivência humana. Em termos de virtudes, penso que se fazem imprescindíveis a hospitalidade de todos com todos, a convivência, o respeito, a tolerância, a comensalidade (comer juntos) e a paz (como meio e como meta).

Publicado aqui por Petrônio Filho.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

A LUTA PELOS 10% DO PIB

TEMOS IMPORTANTES PARCEIROS PELOS 10% DO PIB

Assistindo a alguns programas na TV e lendo artigos de jornais e revistas, pude verificar que, surpreendentemente, ganhamos parceiros na nossa luta pelos 10% do PIB para a educação. Entre eles, presidente da Confederação Nacional da Agricultura, das Indústrias, vários deputados e senadores de partidos conservadores, de alguns jornalistas como Luiz Nassif e PauloHenrique Amorim, além da própria presidente, Dilma.
Temos grandes chances de sua aprovação, caso Dilma, que sofre pressões dos governadores e prefeitos, vete por inteiro o texto aprovado na Câmara Federal. A nossa confederação está fazendo a sua parte, conversando com os ministros e com os congressistas.

Petrônio Filho.

DEFINIDO O REAJUSTE DO PISO

MEC DEFINE REAJUSTE DO PISO

O MEC definiu em 7,67% o reajuste do piso nacional do magistério, que passa a valer R$ 1.567,05. Como o nosso piso está acima disso, para nós, felizmente por um lado (estamos acima dele) e infelizmente por outro (ele é bem baixo), não sofreremos alterações com esse porcentual.

Vamos continuar a nossa luta pelo piso para as vinte horas, apesar da crise internacional que, queiramos ou não, atinge a todos.

Petrônio Filho.

SONHANDO COM NIEMEYER

PARA SONHARMOS COM FORÇA.

"Na folha branca de papel faço o meu risco.
Retas e curvas entrelaçadas.
E prossigo atento e tudo arrisco
na procura das formas desejadas.
São templos e palácios soltos pelo ar,
pássaros alados, o que você quiser.
Mas se os olhar um pouco devagar, 
encontrará, em todos, os encantos da mulher.

Deixo de lado o sonho que sonhava.
A miséria do mundo me revolta.
Quero pouco, muito pouco, quase nada.
A arquitetura que faço não importa.
O que eu quero é a pobreza superada,
a vida mais feliz, a pátria mais amada."

Este poema, "Autodefinição", de Niemeyer, ofereço a todas as companheiras de lutas que, assim como ele, não concordam com as desigualdades e que, também como o arquiteto, não desistem dos sonhos e das lutas pela igualdade, sem deixar de terem os encantos de uma mulher!

Que estes escritos de Niemeyer nos sirva de exemplo em nossa caminhada na busca da justiça social, na luta por uma educação de verdade e na valorização dos (as) educadores (as).

Que 2.013 seja o reflexo do espirito do nosso arquiteto sonhador!

Petrônio Filho.