sábado, 2 de fevereiro de 2013

REVER CONCEITOS - LEONARDO BOFF


02/02/2013 5:31 pm
O legado da crise atual: rever e reinventar conceitos
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Por Leonardo Boff
Nutro a convicção, partilhada por outros analistas, de que a crise sistêmica atual nos deixarácomo legado e desafio a urgência de repensar a nossa relação para com a Terra, para com os modos de produção e consumo, reinventar uma forma de governança global e uma convivência que inclua a todos na única e mesma Casa Comum. Para isso é forçoso rever conceitos-chaves, que como bússola nos possam apontar  um novo norte. Boa parte da crise atual se deriva de premissas falsas.
O primeiro conceito a rever é o de desenvolvimento. Na prática ele se identifica com o crescimento material, expresso pelo PIB. Sua dinâmica é ser o maior possível, o que implica exploração desapiedada da natureza e a geração de grandes desigualdades nacionais e mundiais. Importa abandonar esta compreensão quantitativa e assumir a qualitativa, esta sim como desenvolvimento, bem definido por Amartya Sen (prêmio Nobel) como “o processo de expansão das liberdades substantivas”, vale dizer, a ampliação dasoportunidades de modelar a própria vida e dar-lhe um sentido que valha a pena. O crescimento é imprescindível pois é da lógica de todo ser vivo, mas só é bom a partir  das interdependências das redes da vida que garantem a biodiversidade. Em vez de crescimento/desenvolvimento deveríamos pensar numa redistribuição do que já foi acumulado.
O segundo é o manipulado conceito de sustentabilidade que, no sistema vigente, é inalcançável. Em seu lugar deveríamos introduzir a temática, já aprovada pela ONU, dos direitos da Terra e da natureza. Se os respeitássemos, teríamos garantida a sustentabilidade, fruto da conformação à  lógica da vida.
O terceiro é o de meio-ambiente. Este não existe. O que existe é o ambiente inteiro, no qual todos os seres convivem e se interconectam. Em vez de meio ambiente faríamos melhor usar a expressão da Carta da Terra: comunidade de vida. Todos os seres vivos possuem o mesmo  código genético de base, por isso todos são parentes entre si: uma real comunidade vital. Este olhar nos levaria a ter respeito por cada ser, pois tem valor em si mesmo para além do uso humano.
O quarto conceito é o de Terra. Importa superar a visão pobre da modernidade que a vê apenas como realidade extensa e sem inteligência. A ciência contemporânea mostrou e isso já foi incorporado até nos manuais de ecologia, que a Terra não só tem vida sobre ela, mas é viva: um superorganismo, Gaia, que articula o físico, o químico e as energias terrenas e cósmicas para sempre produzir e reproduzir vida. Em 22 de abril de 2010 a ONU aprovou a denominação de Mãe Terra. Este novo olhar, nos levaria a redefinir nossa relação para com ela, não mais de exploração mas de uso racional e respeito. Nossa mãe a gente não vende nem compra; respeita e ama. Assim com a Mãe Terra.
O quinto conceito é o de ser humano. Este foi na modernidade pensado como desligado, fora e acima da natureza, fazendo-o “mestre esenhor”dela (Descartes). Hoje o ser humano está se inserindo na natureza, no Universo e como aquela porção da Terra que sente, pensa, ama e venera. Essaperspectiva nos leva a assumir a responsabilidade pelo destino da Mãe Terra e de seus filhos e filhas, sentindo-nos cuidadores e guardiães desse belo, pequeno e ameaçado Planeta.
O sexto conceito é o de espiritualidade. Esta foi acantonada nas religiões quando é a dimensão do profundo humano universal. Espiritualidade surge quando a consciência se apercebe como parte do Todo e intui cada ser e o inteiro Universo sustentados e penetrados por umaforça poderosa e amorosa: aquele Abismo de energia, gerador de todo o ser. É possível captar o elo misterioso que liga e re-liga todas as coisas, constituindo um cosmos e não um caos. A espiritualidade nos confere sentimento de veneração pela grandeur do universo e nos enche de autoestima por podermos admirar, gozar e celebrar todas as coisas.
Temos que mudar muito ainda para que tudo isso se torne um dado da consciência coletiva! Mas é o que deve ser. E o que deve ser tem força de realização.
(Foto de capa: Márcia Kalume/Agência Senado)

Boff

PARALISAÇÃO EM ABRIL


Presidente da CNTE esclarece os motivos da greve nacional dos professores

Roberto Leão diz que o problema da educação no Brasil só será resolvido com uma luta empenhada por toda a sociedade
30/01/2
José Francisco Neto
da Redação - REVISTA BRASIL DE FATO

   
   O presidente da CNTE, Roberto Leão. Foto: Reprodução
Professores da rede pública realizarão uma greve nacional entre os dias 23 e 25 de abril. A paralisação, que foi anunciada antecipadamente pelo Brasil de Fato, ocorre durante a Semana Nacional de Educação. O encontro faz parte do calendário de mobilização da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), que agrega 44 entidades de todo o país.
O objetivo é defender a aplicação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação pública e também discutir uma alteração na Medida Provisória (MP) 592, para que os royalties do pré-sal sejam destinados apenas ao setor.
O texto do Plano Nacional da Educação (PNE) diz que serão utilizados 50% dos recursos do pré-sal, incluídos os royalties, diretamente em educação. Hoje, os recursos que vão para a área não chegam a 20%.
No entanto, diante da precariedade no setor, o presidente da CNTE, Roberto Leão, esclarece que o problema da educação no Brasil será resolvido apenas com uma luta empenhada por toda a sociedade. Ele ressalta ainda que o diálogo com os pais e alunos para explicar os motivos da greve deve ser permanente.
“Fazemos reuniões, esclarecemos a real situação da educação pública brasileira, levamos os pais para verificar em que condições seus filhos estão tendo aula, enfim, debatemos que na verdade essas mobilizações têm o objetivo de melhorar a qualidade da educação pública.”
Piso
O reajuste do piso salarial do magistério, anunciado pelo Ministério da Educação, no início do ano, foi de 7,97%. Cada professor da rede pública passará então a receber R$ 1.567.00 por uma jornada de 40 horas, o menor índice dos últimos três anos.
A CNTE, entretanto, entende que o artigo 5º da Lei que criou o Piso estabelece que, se o custo-aluno está sendo reajustado em 20,16% - de acordo com o  crescimento da receita consolidada pelo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) - esse deveria ser o reajuste.
“Nós dependemos que a política do Fundeb tenha credibilidade e que realmente corrija as extorsões na política educacional brasileira. É necessário que existam mecanismos que garantam efetivamente o custo-aluno”, ressalta Leão.
10% do PIB
Frente à pressão de diversos movimentos sociais e educacionais, o Plano Nacional de Educação (PNE) foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara no dia 16 de outubro do ano passado.
O PNE prevê a aplicação em até dez anos de 10% do PIB na área da educação. O texto foi encaminhado para votação no Senado. Se aprovado pelos senadores sem alterações, o texto vai para sanção presidencial. Atualmente, União, estados e municípios aplicam juntos cerca de 5% do PIB no setor por ano.

POLÊMICA COM PRESIDENTE DA NISSAN


Postura antissindical de presidente da Nissan tem forte repercussão

Por: Paulo Donizetti de Souza, da Rede Brasil Atual
Publicado em 30/01/2013, 14:50
Última atualização às 17:36
  
Postura antissindical de presidente da Nissan tem forte repercussão
Glover, ativista por direitos civis, está empolgado com a campanha contra as práticas da empresa no Mississipi (Foto: Paulo Donizetti de Souza/RBA)
Jackson (Mississippi) – "Onde há sindicato não há empresa." A frase, pronunciada pelo presidente mundial da Nissan, Carlos Ghosn, foi o principal assunto de uma reunião da qual participaram hoje (30) integrantes da United Auto Workers (UAW), os sindicalistas brasileiros Vagner Freitas e João Cayres e o ator Danny Glover, um ativista persistente pelos direitos civis, que está empolgado com a campanha contra as práticas discriminatórias e antissindicais da empresa em sua unidade na cidade americana de Canton, no Mississippi. 
Danny Glover afirmou que o pensamento do executivo contradiz a realidade em diversos países onde a montadora atua, como França, Japão, Brasil e África do Sul, nas quais a presença de sindicatos em nada atrapalha o desempenho da empresa.
Freitas lembrou que, diante do momento econômico favorável no Brasil, a montadora espera dobrar sua presença no país e superar concorrentes diretos, como a Honda. No entanto, poderá enfrentar a antipatia da opinião pública, uma vez que a reunião desta manhã deu sinais de que uma forte campanha poderá, em breve, atingir em cheio a imagem da empresa nesses países.

O GRITO!

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O grito

Ocupantes de edifício no centro paulistano tentam chamar atenção para o descaso do poder público com os menos favorecidos (Foto: Danilo Ramos)

DESISTIR, JAMAIS!


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Mensagem

Reintegração de Posse Av. São João - centro de SP - vítimas da ausência de políticas sociais, moradores foram retirados do local (Foto: Danilo Ramos)

ANO QUE SE INICIA - UM DESABAFO

ANO QUE SE INICIA ... NOVOS PROBLEMAS E VELHAS CARAS.

Não é fácil! 

Ontem nos apresentamos em nossa escola (que gosto muito) para a famosa "atribuição de aulas"! Cheguei pouco antes de a diretora iniciar os trabalhos. Gosto de chegar bem antes para conversar com os (as) colegas. Já estavam sentados (as). Me acomodei ao lado de um jovem colega que sempre se mostra alegre. Outra professora chega e senta-se ao meu lado. Ela também é alegre e muito educada. 

Observo a sala. Uns me cumprimentam. Outros, me olham com cara feia, como se fosse um "intrometido"! Que coisa ruim! Isso me angustia muito. - Como pode alguém, já no início do ano, entrar em seu ambiente de trabalho tão amargurado (a)?

A diretora, preocupada, abre os trabalhos dizendo que "este ano não será fácil", destacando o problema da lotação devido as mudanças feitas pelo governo. Solicita o "profissionalismo de todos". Entendo sua postura porque já fui diretor e sei que sua responsabilidade e "culpabilidade" são grandes.
Felizmente, a vice-diretora deu um grande "Bom dia a todos!". Ela, penso eu, conseguiu levantar o astral, pelo menos de alguns, inclusive o meu. Leu uma mensagem e promoveu uma oração.

Durante as atribuições das aulas, grupos de professores (as) conversavam baixinho. Chegam mais alguns de outras escolas. Cumprimentam uns poucos. Nem olham para outros. Tem aqueles que sorriem para todos, enquanto que outros carregam seu rosto, enrugando a testa. Há os que parece demonstrar revolta com o mundo.

Chega a minha vez. Um dos últimos. Uma colega já estava sentada frente à vice-diretora. Quiz cumprimentá-la, mas nem me dirigiu seu olhar. Fiquei constrangido, sem saber o que fazer. A vice lhe disse que suas aulas já estavam distribuídas conforme ela queria. Respondeu rispidamente: "Tá bom!", e saiu ligeiro do seu lugar. Fiquei atônito. Consegui sorrir para a minha vice-diretora, que explicou-me a distribuição de minhas aulas. Conversamos um pouco e nos cumprimentamos em seguida, quando me retirei em direção ao pátio frente à cozinha, onde estava o nosso "lanche".
Conversei com algumas colegas, inclusive uma que tinha tomado posse na direção de um CEI da rede municipal na noite anterior, aliás, muito educada e alegre. Depois fui embora.

Estou muito angustiado e preocupado com aqueles (as) colegas revoltados (as) com a sua profissão e\ou com pessoas. Isto não é bom! Além de não resolver nada, cria um ambiente "pesado" ao seu redor e piora as relações interpessoais. 

Podemos (e devemos) ser críticos a certas situações e até mesmo a pessoas. Mas devemos ser cordial com todos. Acredito que a frase mais infeliz que possa existir é aquela que diz: "Não preciso de ninguém ou de você!". A revolta e a raiva nos trazem amargura e nos coloca em uma situação contrária ao que deve demonstrar um (a) educador (a). 

Todos sofremos com os descasos e a arrogância deste governo estadual (se for esse o caso). A FETEMS, que é a responsável pelas negociações com o governo, não o SINTED, tenta impedir aquelas atitudes. Mas é tudo feito na "calada da noite" e sem diálogo. Assim, além de ficarmos contrariados e constrangidos (pois assim como os diretores escolares, somos cobrados), nos sentimos impossibilitados, até por FORÇA LEGAL, de agir contra tais ações.

Termino este recado-desabafo enaltecendo aqueles (as) que tem consciência, conseguem enxergar aquela situação e nos apoiam no sentido de sempre tentar impedir a arrogância de alguns governantes. Se juntos a luta é difícil, pior ainda separados!

Lembre-se! O que já conseguimos foi com os movimentos sindicais. Sem o sindicato (mesmo com as possíveis falhas e impossibilidades) os avanços serão mais difíceis.

Que TODOS (AS) tenham um ótimo ano letivo!

Petrônio Filho.

PISO DOS MÉDICOS

Piso salarial dos médicos é reajustado para R$ 10.412

AgênciaBrasil/DA

O piso salarial dos médicos foi reajustado em 6,10%, passando para R$ 10.412 por 20 horas semanais de trabalho e vale para janeiro. A Federação Nacional dos Médicos (Fenam), entidade que faz o reajuste anualmente, disse que esse valor deve orientar as negociações coletivas dos sindicatos.

De acordo com a entidade, o piso nacional Fenam surgiu da revisão da Lei 3.999, de 1961, que estipulava um piso salarial para os médicos correspondente a três salários mínimos. Desde 1991 a categoria tenta derrubar esta lei, e desde 2008 o Projeto de Lei 3.734, que estabelece um piso de R$ 7 mil reais para 20 horas semanais, além de reajuste anual, tramita no congresso.

Apesar de a lei ainda não ter sido aprovada, a Fenam calcula anualmente o piso nacional dos médicos para ter um valor como referência nas discussões e reivindicações da categoria médica. Em nota, Geraldo Ferreira, presidente da Femam, citou Piauí, Tocantins e Espírito Santo como estados que avançaram rápido nas negociações salariais.